“A Pingente de Amor faz algo lindo e único. Agradeço aos céus a oportunidade de conhecê-la"

“Por todo esse valor que o leite materno tem, pelo seu poder nutricional, emocional, fortalecedor de vínculos, de cura, de aconchego, de carinho, de segurança, ter uma joia feita dele é algo muito especial. Para mim, vale mais que ouro, esmeralda, rubi, diamante. É feito de algo produzido por mim e que garantiu a saúde e o crescimento da minha filha, que é meu bem mais precioso!”. Leia na entrevista a seguir, o depoimento da mamãe da Eduarda, a querida Fabielen, que conta sua história de maternidade e fala sobre o que representa ter um pingente de leite materno:


Fabi e a pequena Duda, usando o pingente feito com o leite que ela ainda mama (e ama)

Primeiro, conte sua história de maternidade... Desde o sonho de ser mãe, até a realização, tendo o bebê nos braços, e como tem sido a grandeza de ser mãe?

Meu sonho de vida sempre foi ser mãe. Nunca sonhei em ter determinada profissão, morar em determinado lugar, mas ser mãe é algo que sempre tive certeza de que queria! Confesso que não gostei da gravidez, apesar de não ter tido quase nenhum sintoma daqueles desagradáveis. No entanto, tive muita fome! Já comecei a engordar nos primeiros meses, inchei muito e tive muita acne. Autoestima, portanto, ficou bem baixa.


Um susto com 31 semanas de gestação

Com 31 semanas e 5 dias de gestação levei um grande susto: meu tampão mucoso saiu. Tentei me acalmar, mas por precaução, fui para a emergência da maternidade. Lá disseram que não tinha sinal de parto, que estava tudo bem. Então fui trabalhar. No dia seguinte, amanheci com sangramento. Aí começou a bater um certo desespero. Fui para outra maternidade, avaliaram e disseram que o colo do útero ainda estava bem fechado e que o sangramento devia ser do exame de toque feito no dia anterior. O médico mandou ficar em repouso, então fui pra casa. Mas na manhã seguinte ainda estava sangrando, então voltei para a maternidade. Outro médico avaliou e achou melhor me deixar internada para repouso e observação. Aplicou injeção de corticoide para desenvolver mais rápido o pulmão da minha filha e fiquei o dia deitada para o lado esquerdo. Lá da maternidade, cancelei o chá de bebê que estava previsto para o dia seguinte, sábado, dia 27 de fevereiro, quando eu também iria comemorar meu aniversário de 29 anos. Chorei. Estava tudo praticamente pronto. Pensei que teria que passar o resto da gravidez deitada, em repouso.


Um presente de aniversário

Ledo engano. Às 4h45min da madrugada de sábado, dia do meu aniversário, a bolsa estourou. O médico veio avaliar e, ainda em choque, perguntei se dava para segurar mais um tempo a gravidez. Ele disse que não, que agora era só esperar nascer. Nesse momento caiu a ficha: ela ia nascer. Me desesperei, pois ela era muito pequena, só 32 semanas, não estava pronta! Chorei de novo. Mas logo as contrações começaram pra valer. Antes nem tinha percebido, achei que era só cólica. Não conseguia nem me levantar, pois a cada movimento que fazia sentia outra contração. Pedi para a enfermeira se podia tomar analgesia e ela foi procurar o médico, que estava terminando um atendimento no plantão. Antes de ele conseguir vir me avaliar, comecei a fazer força involuntária. Sabia que estava na hora. Avisei meu esposo que ela ia nascer, então ele chamou a enfermeira e ela viu que já estava coroando. Chamaram o médico, “corremos" para o centro cirúrgico, eu gritando de dor pelos corredores! Lá, a enfermeira me ensinou a fazer a força, pois eu só estava gritando! Fiz força três vezes e ela nasceu, às 7h37min da manhã. Meu esposo quase perdeu o parto, pois levou certo tempo até colocar a roupa hospitalar para entrar no centro cirúrgico. Chegou quando eu estava fazendo a segunda força. Foi um alívio ouvi-la chorar. Eduarda nasceu com 40 cm e 1,890 Kg e Apgar 9.9. Mas logo veio a notícia, que no fundo já esperava, mas que causou um dos maiores sofrimentos da minha vida. Ela teria que ir para a UTI neonatal. Pude segurá-la em meus braços por menos de 5 minutos.


Três semanas na UTI

Ela permaneceu na UTI por três semanas, até completar 35 semanas de idade corrigida e atingir 2 kg. Nesse período, precisei fazer ordenha do leite materno. Não foi nada fácil, doía muito, principalmente o colostro. Saia uma gota, às vezes duas. As enfermeiras me apoiaram, disseram que essas gotas eram milagrosas e era melhor que nada. Elas me ajudaram e me ensinaram. Meu marido me ajudou muito também. Quando o leite desceu, cerca de 3 dias depois, consegui uma máquina emprestada de uma amiga, o que salvou a ordenha. Consegui tirar cada vez mais, mas infelizmente ainda não era o que minha bebê necessitava, então tiveram que dar complemento pela sonda. Lá pelo 4º dia, colocaram a Duda no meu peito. Ela mais dormiu do que mamou. Aos poucos ela começou a mamar mais e melhor e com 13 dias tiraram a sonda, pois ela já estava mamando bem. O peso foi aumentando até que atingiu os 2 kg necessários para a alta. No entanto, ainda faltavam 2 dias para completar 35 semanas de idade corrigida, e só dariam alta quando as completasse. No dia 18 de março de 2016, então, pudemos ir para a casa! Esse sim, o dia mais feliz da minha vida!


"Confiei no meu leite"

Desde então, ela nunca mais tomou fórmula. Amamentei em livre demanda. No início tirava um pouco do leite para meu marido dar na mamadeira de manhã e eu poder descansar um pouco, pois ela acordava a cada 2h para mamar. Então ela começou a dar alguns sinais de confusão de bicos, que acontece quando se oferece ao bebê qualquer bico artificial, como chupeta, mamadeira, bico intermediário. Tirei imediatamente a mamadeira. Não dei chupeta. O leite que tirava, meu esposo passou a dar na colher dosadora. Com três meses e 12 dias ela já pesava 5,355 Kg e estava quase na famosa linha verde da caderneta. Nos meses seguintes, sempre esteve com peso acima dessa linha. Confiei no meu leite e ele me mostrou que era suficiente, era capaz de nutrir perfeitamente minha prematura. Mantive aleitamento materno exclusivo até cinco meses e 24 dias. Hoje, com 1 ano e 10 meses, continuo amamentando, sem mamadeira ou outro leite. Sei que meu leite é o melhor para ela. Mesmo comendo muito bem, o leite materno tem sua importância.


O que representa para ti o momento da amamentação? Como definir a "mística" de saber que teu corpo produz o alimento perfeito para teus filhos?

A amamentação cansa, ainda mais quando isso é o que melhor acalma o bebê. Mas é gratificante, ao mesmo tempo em que você alimenta, saber que você tranquiliza seu filho. Que ali, naquele momento, você e seu filho se tornam um. Então mesmo amamentado a cada hora durante o dia e a cada 2h na madrugada, valeu a pena. Hoje ela já não mama tanto, consegui tirar a mamada da madrugada e ela passa o dia na escolinha. Mama quando acorda e quando chega da escola várias vezes até dormir.


O que significa ter uma joia para sempre feita com este alimento perfeito, que nutre teu bebê?

Por todo esse valor que o leite materno tem, pelo seu poder nutricional, emocional, fortalecedor de vínculos, de cura, de aconchego, de carinho, de segurança, ter uma joia feita dele é algo muito especial. Para mim, vale mais que ouro, esmeralda, rubi, diamante. É feito de algo produzido por mim e que garantiu a saúde e o crescimento da minha filha, que é meu bem mais precioso!


Em tempos de incentivo à amamentação em livre demanda, como o alimento mais rico e completo para nossos bebês, qual a importância que você vê em iniciativas como a da Pingente de Amor?

A Pingente de Amor faz algo lindo e único. Agradeço aos céus por ter tido a oportunidade de conhecê-la enquanto ainda amamento. Ela proporciona a nós, mães, uma lembrança para a vida toda desse momento único e que passa tão rápido! É mágico. Obrigada!


O que você diria às mulheres que pensam em ter filhos, mas ainda não viveram essa experiência?

Para as mulheres que pensam em ter filho, mas que ainda não tiveram essa experiência aviso que ter filho não é fácil. Às vezes é tão cansativo que chegamos à exaustão. Choramos de cansaço e de culpa (culpa materna está em todas as coisas do dia a dia, é incrível). Há pressão por todos os lados para fazermos o que os outros acham melhor, o que a indústria diz ser melhor. Nada do que fazemos parece estar bom. Dá insegurança. Mas devemos confiar em nós mesmas, no poder e na força que temos. Ler, estudar e questionar sempre que possível, até mesmo o pediatra. O resultado disso tudo é maravilhoso. Ter junto de ti aquela pessoa que te ama e confia em ti incondicionalmente. Ver o desenvolvimento daquele serzinho, que parece tão indefeso! Ver crescer, aprender novas habilidades. Saber que você está formando e educando alguém para transformar o mundo! É muito prazeroso! É minha maior realização pessoal!

118 visualizações0 comentário